"Fiz o depósito para a pessoa que anunciou o carro, mas depois o vendedor da concessionária me procurou e disse que eu precisava assinar o cancelamento da faturamento da compra do carro, pois a revenda não recebeu o depósito", afirma Débora. No caso, a concessionária foi procurada pela VPE para faturar um Fox 1.6 no valor de R$ 39,5 mil, que seria vendido a Débora. A operação seria a mesma que ocorre entre as concessionárias e as revendas de carros, conhecidas como "bocas", com a Garra funcionando como uma intermediária entre a fábrica e o lojista, no caso a promotora de eventos. Porém, a VPE foi uma empresa criada para aplicar o golpe e usou a concessionária Garra como escada.
Débora reclama da posição da concessionária, pois acredita que, se ela emitiu uma nota fiscal do veículo, é responsável pela venda. "Queria que todas as pessoas soubessem que o fato de uma concessionária faturar um carro não significa que ela vai entregar. Você pode pagar, sair com a nota fiscal e ficar sem o carro", indigna-se Débora.
De acordo com a direção com concessionária, Débora Assunção afirma ter sido vítima de golpe praticado por estelionatários e agora tenta imputar alguma responsabilidade à Garra, que não participou da negociação que ela realizou com os meliantes, cabendo salientar que ela fez depósito em conta de terceiros e não para a revenda. A direção da Garra ressalta ainda que cancelou a venda e não liberou o veículo para a senhora Débora em razão da empresa não ter recebido o pagamento do mesmo. A Garra se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários para a senhora Débora.
O deputado estadual Délio Malheiros, vice-presidente da comissão de defesa de direitos do consumidor da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, explica que não há como condenar a concessionária somente por emitir a nota fiscal antes do faturamento, pois essa é uma operação comum. "É preciso apurar se a concessionária de alguma forma deu a entender que o negócio era legal", ressalta o deputado. Ele explica que, se a concessionária emprestou seu nome ou de alguma forma mostrou que teve participação no negócio, pode até ser condenada. O alerta do deputado é para sempre desconfiar de anúncios com valores muito inferiores ao preço de mercado, principalmente se a origem da oferta for de outro estado. "Um desconto desse tamanho cheira a fraude", reforça Malheiros.
Velho golpe
O "golpe do tijolinho", como é conhecido os anúncios que oferecem condições extremamente favoráveis para a compra de veículos, é comum nos classificados dos jornais, que não têm como checar a procedência de todos os anúncios feitos por telefone. Em caso de carro usado, é essencial conferir o veículo pessoalmente antes de efetuar a compra. Para veículos novos, sempre desconfie de ofertas que oferecem descontos vantajosos demais, que são provenientes de outros estados e que insistem em depósitos antecipados.


