segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Carro novo por preço de velho?

Muito alarde, pouca segurança. E o preço... lá nas alturas!
As montadoras costumam fazer alarde quando apresentam mudanças nos seus carros, especialmente quando apresentam linha nova. Um equipamento de segurança, um detalhe tecnológico, qualquer coisa é motivo para uma ampla campanha publicitária buscando atrair o consumidor e mostrando que a marca está “up to date”. E mais: “tudo pelo mesmo preço do modelo velho”, diz a propaganda.
Quanto ao preço, já denunciamos a pegadinha aqui. Trata-se de uma estratégia nova das fábricas: antigamente as mudanças na linha vinham acompanhadas do aumento do preço, o que era justificável e, portanto, absorvido sem contestação pelo consumidor.
De uns anos para cá as fábricas passaram a alterar o preço de tabela todos os meses, aumentos insignificantes: 1% ou fração, índices que não viram notícia. Quando a versão nova é lançada, o valor do carro já está inflacionado. O equipamento novo, portanto, já estava sendo pago pelo cliente que vinha comprando o modelo velho. Fica a impressão que a montadora é boazinha, que está oferecendo mais produto por menos e o incauto do consumidor tem a impressão de que o carro está cada vez mais barato.
Puro engano. Uma pesquisa feita pela Agência AutoInforme, com cotação de preço da Molicar, mostra que o carro feito no Brasil teve um aumento médio de 75% nos últimos sete anos. Quer dizer: o aumento foi chegando devagarzinho, nem deu pra sentir. O balanço de sete anos mostra, no entanto, que o aumento foi bem maior do que inflação no período: 51,9% segundo o IPC da FIPE.
Em relação à segurança a situação é pior. As (poucas) marcas que oferecem, por exemplo, air bag em seus produtos se vangloriam da “preocupação com a segurança”. Balela: fazem isso para não deixar o cliente fugir para a concorrência. E fazem pouco: nenhum dos carros pequenos fabricados no Brasil tem air bag ou ABS de série. Uns poucos oferecem esses equipamentos como opcionais. Enquanto isso, a Europa estuda a obrigatoriedade do ESP – o controle eletrônico de estabilidade nos carros de passeio a partir de 2012. Nos Estados Unidos o ESP será obrigatório a partir de setembro de 2011.
ABS e o air bag já equipam há tempos os carros vendidos tanto na Europa quanto nos EUA. E as fábricas que fabricam lá, são as mesmas que fabricam aqui. Curioso, não?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Trânsito gera sofisticação


Tráfego caótico tem obrigado fabricantes a introduzir novidades
O tráfego pesado tem obrigado os fabricantes de veículos a introduzir novos e cada vez mais sofisticados dispositivos de assistência ao motorista. A preocupação começa ao manobrar de ré para sair de uma vaga na rua, garagem ou estacionamento. Existe o receio de retroceder sem ter certeza do que se aproxima. O motorista acaba por torcer o pescoço para ver melhor – muitas vezes sem sucesso – ou se move lentamente, com insegurança.Nos países de enorme taxa de motorização é fácil lançar novidades, pelo maior poder aquisitivo da população. A Ford americana decidiu atacar o problema de visibilidade durante manobras. Vai colocar de série, paulatinamente, novo dispositivo que se junta aos sensores de distância nos pára-choques e à câmera para visão traseira (esta de série em modelos caros). O sistema baseia-se em radar, em dois módulos, um em cada lado da carroceria.Os feixes de radar identificam quando outro veículo entra numa zona de ponto cego. De imediato uma luz de advertência acende no espelho retrovisor, do lado de onde vem a situação de risco, além do alarme sonoro. Esse novo recurso de detecção de um carro ou pessoa se aproximando atua automaticamente, sempre que se engata a marcha à ré e alcança 25 metros de cada lado. Também funciona mesmo que se saia da vaga em diagonal, não se limitando ao tráfego circulando a 90 graus, ao contrário dos sistemas atuais que têm limitações de alcance lateral.Mas, como ninguém é de ferro, a indústria também quer aliviar o trabalho de estacionar. A Citroën oferece no Grand C4 Picasso um medidor de espaço de vaga. Aperta-se um botão e após passar pelo espaço entre dois carros, paralelos à guia (ou meio-fio), vem o diagnóstico, no painel: estacionamento possível, difícil ou não-aconselhado.A Volkswagen foi além e disponibiliza como opcional no Touran, Tiguan e Passat um sistema de estacionamento semi-automático para vagas paralelas ao veículo. Ao apertar de um botão, os cálculos são feitos por computador que comanda a direção, sem o motorista precisar tocar no volante. Sua única função é acelerar e frear, seguindo instruções.A evolução desse dispositivo é o sonho de muitas (e muitos) motoristas. A VW apresentou no recente Salão de Hannover, Alemanha, ainda em nível de protótipo, a automatização completa das manobras de estacionamento perpendiculares à guia. Neste caso, pode-se sair do automóvel e, a distância, manusear botões no chaveiro. O carro estaciona sozinho. Como as vagas em grandes áreas são, em geral, desse tipo e muitas vezes apertadas, é comum, após conseguir estacionar com sacrifício, o ocupante passar por sessões de contorcionismo para entrar ou sair do veículo. Fora os inevitáveis esbarrões de portas contra as laterais dos carros ao lado.Desse estresse, no futuro breve, ficaremos livres, desde que se possa pagar o preço, ainda indefinido.
RODA VIVA
EMBORA com atraso superior ao esperado, picape Strada 2009 encontrou soluções que marcam a quarta geração sem aumento de preço sensível. São modificações coerentes: tampa da caçamba removível (com chave para evitar furtos), apoios de pé traseiros e laterais para facilitar acesso à caçamba e possibilidade de fixar o estepe dentro ou fora da cabine estendida (antes possível só na cabine simples).
VERSÃO Adventure Locker recebeu molduras de caixa de rodas exclusivas, diferentes das utilizadas na station, e estribos robustos. Sistema de bloqueio mecânico do diferencial por comando eletrônico é igual. A Strada consegue se safar de algumas situações de fora de estrada, quando uma roda perde tração. Mas o motorista tem de lembrar de pisar no freio, antes de apertar o botão no painel.
PACOTE de equipamentos e acabamento alinha-se à família Palio. Na pickup faz ainda mais falta um apoio para o pé esquerdo, junto à caixa de roda interna. Apesar da maior distância ao solo da Adventure, os novos amortecedores com molas internas dão conta do recado, considerando ainda a suspensão traseira da pickup voltada ao trabalho, menos elaborada que a da station.
BMW X6 impressiona por soluções avançadas, além de ser um crossover 4x4 diferente de tudo. Misto de utilitário esporte e cupê de quatro lugares, guarda uma preciosidade: um dos poucos motores 6-cilindros em linha restantes no mundo. Dois turbocompressores trabalham de forma independente e garantem 306 cv. Quintessência na distribuição de torque no eixo traseiro garante dirigibilidade excepcional, em qualquer situação.
OUTRO crossover, porém com proposta bastante familiar (5 + 2 lugares), é o Dodge Journey. Vem do México, sem imposto de importação. Por isso, pode oferece um V6 de 185 cv por R$ 99.000,00. Suspensão independente nas quatro rodas permite rodar típico de sedã moderno, mesmo com 4,88 m de comprimento. Câmbio automático de seis marchas consente viajar com baixo nível de ruído.
CORREÇÃO: novo Gol estendeu a troca de óleo de 10.000 para 15.000 km (números saíram invertidos na coluna anterior

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Oficinas faturam com o boom da venda de veículos

Explosão de automóveis circulando nas ruas tem efeito imediato nas lojas.Com o aumento da procura, clientes são obrigados a agendar horário
A fabricação e a venda de carros batem recordes consecutivos no país. E esta explosão de veículos circulando nas ruas tem efeito imediato nas oficinas. Em algumas, a saída encontrada foi marcar horário para atender os clientes.

Veja o site do MGTV Desde que comprou o primeiro carro, há 30 anos, o administrador de empresas José Roberto Catarina diz nunca ter agendado uma visita ao mecânico. No entanto, chegou sem aviso, e teve de esperar. “É como em uma consulta médica”, diz. Em uma concessionária de Minas Gerais, que recebe 50 clientes por dia, o movimento cresceu 30% só este ano. O expediente foi ampliado em mais duas horas. “O cliente chega e quer ser atendido na hora, mas tem horas que não dá”, diz o gerente Edmilson Rodrigues. Segundo ele, a expectativa é de um aumento de mais 10% daqui a seis meses, quando os carros fizerem a primeira revisão.

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Em 2000, o país tinha 19,3 milhões de veículos em circulação. No ano passado, esse número passou para 25,5 milhões; um salto de 32% em sete anos. Nas oficinas particulares, a procura vai crescer ainda mais. A previsão é do Sindicato da Indústria Mineira de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa). O cliente em potencial é aquele que já perdeu a garantia de fábrica. “Essa frota que foi vendida em 2005, em 2006, já está na hora de ser reparada pelo nosso setor independente e a frota nova também. Hoje existe um problema sério de congestionamento que faz com que os veículos desgastem mais. Então, a perspectiva é de que a gente tenha um número maior de trabalhos”, diz o presidente do Sindirepa, Cláudio Lambertucci. Até 2005, 40% dos veículos que chegavam a uma das oficinas de Minas Gerais tinham de cinco a sete anos de fabricação. Hoje, é difícil encontrar carros com mais de dois anos de uso. Os clientes estão com modelos mais novos, o que obriga as empresas a se adequar. Em Minas Gerais, uma oficina adquiriu há cerca de um ano uma cabine de pintura que não utiliza solventes. O trabalho agora é à base de água, que polui menos. As lixadeiras também são novidade. Segundo o proprietário, reduzem o tempo de serviço em até 60%. “O mercado de reparação hoje exige isso. Exige qualidade, eficiência, e você não pode parar no tempo”, diz Flávio Marques, dono da oficina. Eliete Oliveira fez um curso em São Paulo para aprender a usar os equipamentos. A atividade virou uma nova profissão para a ex-faxineira. “Adoro mexer com carro, com pintura. Estou no mercado e vou aprender um pouco mais”, diz a ajudante.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Saiba como evitar dor de cabeça na hora de vender o carro

Expedição de novo certificado de registro é obrigatória. Mas muita gente se esquece disso e acaba acumulando dívidas
Vender o carro. O que parece uma simples transação pode virar um tormento. São dívidas e mais dívidas. O pior: o motorista pode até perder a carteira. São pequenos cuidados de que muita gente esquece. O Código de Trânsito Brasileiro diz que é obrigatória a expedição de novo certificado de registro quando for transferida a propriedade do veículo e dá 30 dias para o novo proprietário fazer isso. Mas não é o que tem acontecido. Milhares de pessoas ficam prejudicadas depois de terem vendido o carro. Foi o que aconteceu com a dona de casa Branca Castro quando foi vender o carro. Ela reuniu os documentos, foi ao cartório. Mas o novo dono não transferiu para o nome dele. Algum tempo depois, ela soube que tinha dívidas a pagar: multas, IPVA. E o nome dela foi parar na lista de devedores do Distrito Federal.
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“Eu só descobri isso recebendo multas, multas de um carro que eu já tinha vendido”, reclama a dona de casa. O Detran dá uma dica: antes de entregar o carro, o vendedor deve fazer uma cópia autenticada em cartório do Documento Único de Transferência (DUT) - preenchido, e levá-lo ao Detran para comprovar que a partir daquele momento o carro pertence a outra pessoa. Além da cópia do DUT é preciso preencher o comunicado de venda de veículos. Só assim o Detran reconhece que o dono se desfez do carro. O documento está previsto no Código Nacional de Trânsito. “A partir do momento que ela faz essa comunicação no Detran, está isenta de multas, de impostos, de dívida ativa em relação aos débitos existentes no cadastro do veículo, mas só a partir da comunicação da venda”, ressalta o gerente de controle de veículos do Detran Deltimo Silva. O funcionário público Ricardo Maciel não sabia. O carro que ele vendeu não foi transferido e as multas continuaram a contar pontos na carteira dele. Quando passou de 20 pontos ficou impedido de dirigir por dois meses. Acabou na escolinha do Detran onde descobriu que poderia ter sido ainda pior. “Se ele também tivesse atropelado uma pessoa ou coisa parecida eu posso responder um processo. Está no meu nome, eu tenho que provar que eu vendi o carro”, diz Maciel. Quem negocia o carro com uma concessionária ou entrega para uma agência tem tido o mesmo problema. A transferência por procuração às vezes se perde no tempo, enquanto o carro já circula com novo dono e vai acumulando multas. Para o ex-proprietário ficar tranqüilo, o melhor é tomar a iniciativa de comunicar a venda ao Detran.